Oiça lá, ó Senhor vinho,
vai responder-nos, mas com franqueza:
Como podemos ter a certeza
De que a vindima está no bom caminho?
A qualidade da vindima começa muito antes do primeiro cacho ser cortado. As semanas que antecedem a colheita são decisivas para garantir uvas equilibradas, saudáveis e no ponto ideal de maturação. Mais do que seguir o calendário, importa observar a vinha e adaptar as decisões ao estado da cultura.
O vinho é que induca, mas convém saber «ler» a vinha
A maturação não se mede apenas pela cor. Um dos aspetos mais importantes nesta fase é acompanhar a evolução da maturação das uvas, verificando esporadicamente:
- teor de açúcar;
- acidez;
- pH;
- maturação fenólica (sobretudo em castas tintas);
- estado sanitário da uva;
- previsão meteorológica.
Em muitas explorações, faz-se prova das bagas (polpa, película e grainhas), para avaliar textura e evolução dos taninos, visto que parcelas diferentes podem atingir o ponto ideal em momentos distintos e que a maturação tecnológica (açúcar e acidez) nem sempre coincide com a maturação fenólica.
Deixe as pragas à porta, para não ficar na cepa torta
Nas semanas que antecedem a vindima, qualquer problema pode comprometer a qualidade da produção.
Principais doenças na vinha:
- Botrytis (podridão cinzenta), especialmente em períodos húmidos;
- Oídio;
- Míldio (embora normalmente mais problemático em fases anteriores).
Pragas mais importantes:
- traça-da-uva;
- cigarrinhas;
- vespas;
- aves (melros, estorninhos, etc.).
A monitorização deve ser frequente e os tratamentos fitossanitários feitos somente quando justificados, com pulverizadores adequados e limpos, e respeitando sempre os intervalos de segurança antes da vindima.
Muita parra e pouca uva
Nesta fase, pequenas intervenções na copa da videira podem favorecer:
- circulação de ar;
- exposição moderada dos cachos;
- redução da humidade;
- maior eficácia dos tratamentos.
A desfolha deve ser feita com critério, já que a exposição excessiva dos cachos pode provocar escaldões, sobretudo nas regiões mais quentes.
Foi chão que já deu uva, e vai tornar a dar
Mesmo perto da vindima, o solo influencia diretamente a qualidade da produção.
Importa:
- controlar infestantes;
- evitar compactação;
- manter boa infiltração de água;
- preservar matéria orgânica.
Em muitas vinhas, privilegia-se atualmente o enrelvamento entre linhas, para reduzir erosão e favorecer biodiversidade.
Gaba-te, cesta, que amanhã vais à vindima
A preparação da logística da vindima é essencial, já que até as pequenas avarias podem atrasar significativamente a colheita.
Convém verificar antecipadamente:
- tesouras de vindima e ferramentas de manutenção da vinha;
- cestas e caixas de colheita;
- baldes;
- tratores;
- atrelados;
- pulverizadores;
- equipamento de proteção individual (luvas, botas).
Faça sol ou faça uva
As vésperas da vindima exigem acompanhamento atento das previsões meteorológicas. Uma chuva intensa perto da colheita pode:
- aumentar o tamanho dos bagos;
- diluir açúcares;
- favorecer podridões;
- dificultar a entrada na vinha.
Também as temperaturas elevadas influenciam o momento ideal de colheita, razão pela qual muitas vindimas decorrem de madrugada ou durante a manhã.
Erros frequentes na vindima
- Escolher a data pelo calendário.
- Esperar que toda a vinha amadureça ao mesmo tempo.
- Desfolhar em excesso.
- Ignorar previsões meteorológicas.
- Não monitorizar doenças nas últimas semanas.
- Colher durante as horas de maior calor.
- Vindimar demasiado cedo: produz vinhos menos equilibrados.
- Vindimar demasiado tarde: pode originar excesso de álcool e perda de frescura.
Vossa mercê tem razão,
É ingratidão tratar mal da vinha
E a provar o que digo
Vamos à Agriloja, logo p’la fresquinha!






