Somos um povo de festas, procissões e romarias. Porém, há procissões que é melhor não seguirmos. E se rezarmos, que seja para nos vermos livres delas.
Não falamos de crenças, mas de − cruzes, credo! – processionárias. Ou seja, lagartas do pinheiro.
Vêm cantar as janeiras? Não vá em cantigas…
À semelhança dos que em janeiro se juntam para o primeiro banho do ano, estes insetos, de janeiro a maio, descem das copas e fazem uma procissão, unidos num longo e rigoroso carreiro, para se enterrarem e aí passarem pela crisálida, antes de se tornarem traças. No entanto, as alterações climáticas estão a prolongar estes ciclos, sendo progressivamente mais imprevisível saber em que altura descerão das copas.
Partida, lagarta, fugida!
É esta movimentação que é particularmente perigosa para pessoas e animais, pois é quando as lagartas ficam ao alcance de pés e patas distraídas, dedos e focinhos curiosos.
Contudo, não é apenas o contacto direto com a lagarta do pinheiro ou do carvalho (espécies semelhantes e com riscos idênticos) que pode causar dano. Os pelos, leves e minúsculos, soltam-se com o movimento, podendo pousar, ficar suspensos no ar ou deslocar-se com o vento, ainda antes de as lagartas descerem das copas.
Contactos suspeitos? Bloqueie e denuncie.
É, por isso, extremamente importante ter alguns cuidados preventivos:
- Manter os pinheiros e o chão limpos, pois as lagartas alimentam-se das agulhas e é lá que nidificam.
- Vigiar o aparecimento de ninhos: semelhantes a grandes teias brancas, densas. Se avistar um ninho de lagartas, deve informar a Proteção Civil, a Câmara Municipal ou o ICNF, para que procedam à remoção segura e à monitorização da área.
- Entre junho e setembro, durante a fase da traça, existem armadilhas próprias, iscadas, para capturar os machos. No outono, a opção será os tratamentos químicos.
Que «rica prenda» estava junto ao pinheirinho…
Como se manifesta a alergia?
Na pele, nos olhos, nas mucosas nasais e nos pulmões. Pode levar minutos ou horas a manifestar-se e durar horas ou dias, conforme a intensidade do contacto e a sensibilidade.
Sintomas mais comuns em humanos:
Irritação cutânea, vermelhidão, inchaço, irritação ocular, dificuldades respiratórias.
Como reagir:
Tirar a roupa e lavá-la a altas temperaturas.
Lavar bem a pele ou os olhos com água fria corrente.
Remover os pelos urticantes com um adesivo.
Aplicar creme hidratante.
Consultar um médico ou farmacêutico, no caso de contactos/inalações mais graves.
Sintomas mais comuns em animais:
Focinho ou cabeça inchada, conjuntivite, febre, cansaço e vómitos, quando há inalação de pelos.
Como reagir:
Evitar que o animal lamba as patas e o pelo ou se coce.
Remover os pelos urticantes, usando luvas e máscara.
Limpar a área afetada ou todo o pelo do animal com água quente.
Levá-lo a um veterinário logo que possível.
Se vir passar esta procissão, já sabe o que fazer. Não acenda a vela nem cumprimente as beatas: andor dali para fora!







